O encontro do coração

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  Ela Está Chegando —  e eu preciso da sua ajuda Um dia me perguntaram como eu acredito ser a reação de alguém ao encontrar sua alma gêmea. Como sempre, minha resposta virou música. Nasceu assim Ela Está Chegando — uma composição minha que tenta traduzir aquele momento exato em que o coração reconhece alguém antes mesmo da razão entender o que está acontecendo. O chão treme. O corpo trai. Os olhos cruzam por um segundo eterno. E a pergunta que não sai da cabeça: será que ela sente a mesma coisa? Escrever essa letra foi fácil. Porque algumas coisas a gente não inventa — a gente só coloca em palavras o que já estava dentro. E agora essa música tem uma chance de ganhar voz de verdade. Ela está concorrendo a um projeto da dupla Sávio e Gustavo na plataforma MusicPlayce — e a música mais votada entra no repertório deles. É aí que você entra. Se essa história tocou você de algum jeito, se já sentiu o chão tremer assim, clica no link abaixo, ouve e vota. Curtidas e comentários tamb...

De mãe atípica pra mãe atípica

 

“De mãe atípica pra mãe atípica — ou pra quem ainda nem sabe que é”


Olá você, que como eu se descobriu mãe atípica…

ou suspeita que seja…ou nem passou isso pela cabeça, mas vive aí suas batalhas diárias com seu filho.

Eu escrevo como EuARUE, mas meu nome é Vanuza.Tenho três filhos, cada um com uma história que me mudou.Mas hoje quero falar especialmente da minha vivência com o Miguel, meu caçula de 12 anos — TEA nível 1.

Ele sempre chamou atenção pelo tamanho. Sempre o maior da turma, mesmo pequeno.Demorou a andar, demorou a falar. A família cobrava, comparava… tinha uma priminha um mês mais nova que já fazia tudo antes.

Mas eu sempre dizia:

“Cada criança tem seu tempo.”

Só que, com o tempo, algumas diferenças ficaram óbvias.

Ele era agitado, feliz, abraçava todo mundo, trocava palavras e eu achava um charme:

pocilial em vez de polícia,

bilicicleta em vez de bicicleta… 😂

Até hoje ele fala “quando eu tinha 3 anos”, porque muita coisa pesada aconteceu ali:

– tirou fralda,

– desmamou,

– começou na escolinha,

tudo de uma vez.

E foi aí que as dificuldades apareceram de verdade.Ele tinha uma rigidez cognitiva que eu, na época, nem sabia que tinha nome.Só usava o mesmo banheiro. Se estivesse na rua, tinha que voltar pra casa.Trocar uma tampa do vaso? Virava guerra.

Eu ia buscá-lo na escola porque ele fazia cocô na roupa e ficava no canto.

Tive que mudar roupa dele pra só elástico porque ele não conseguia lidar com zíper, botão…

Caía sempre. Os pés eram gordinhos, desajeitados.

E os colegas se afastavam porque ele queria abraçar todo mundo — e abraçava com força. Era carinho, mas machucava sem querer.

Levava tapa, empurrão… e achava normal.

Ele dançava. Muito. O tempo todo.

Me chamaram na escola pra dizer que “escola não é lugar de dançar”.Queriam que ele ficasse imóvel numa carteira.

Começaram:

— Ele não para.

— Ele não colore.

— Ele não junta material.

— Ele deita no chão.

E eu, mãe rígida, que acredita em colocar regra antes que o mundo faça por mim…

Eu briguei.

Eu gritei.

Eu castiguei.

Porque me diziam que era preguiça.

Era manha.

Até que um dia mudou.

Ele parou.

Não dançava mais. Não fazia mais nada.

Só ficava lá, com lápis na mão, encarando o caderno vazio.

E começou a chegar chorando:

“Ninguém gosta de mim.”

“Me chamam de gordo.”

“Batem em mim.”

E eu dizendo pra ele não revidar, avisar professor…

Mas professor muitas vezes nem via.

Pra tentar ajudar, comecei a pedir atividades da escola pra fazer em casa.

E eu, todos os dias, ficava 4 a 6 horas sentada com ele tentando fazer as atividades.

Eu gritava. Perdia a cabeça.

Era exaustivo, injusto e eu não entendia.

A escola dizia:

“Seu filho é muito inteligente. Oralmente ele é o melhor da sala.”

Mas queriam o bendito registro.

Queriam a prova no papel que ele simplesmente não conseguia dar.Até que um dia…

Ele disse:

“Eu quero morrer.”

Uma criança falar isso… rasga qualquer mãe no meio.Falei com meu psiquiatra. Ele pediu pra levá-lo.Começou tratamento pra depressão e ansiedade, mas pareceu piorar.Até que um pediatra abençoado pediu neurologista.

O neuro pediu avaliação neuropsicológica.

E aí começou a maratona:

procurar lugar, pesquisar preço, pedir ajuda…Finalmente conseguimos.Três meses indo e voltando (com o motorista da saúde que Deus o abençoe).No meio disso, precisei do relatório do psiquiatra —

e ele trocou tudo e passou remédio fortíssimo pra esquizofrenia.

Eu já tava perdida.E então o laudo saiu.Eu chorei.Não porque entendi tudo — mas porque finalmente tinha um nome.Finalmente eu podia parar de culpar ele… e me culpar.

E aí começou a verdadeira luta.

Por isso estou aqui, com vocês.Pra dividir o que aprendi, aprender com outras mães, e transformar todo esse caminho num espaço seguro, sem julgamento, sem filtro demais… mas com verdade.

Se você se viu em algo aqui…Se você vive metade desse caos invisível…Se você ama seu filho, mas não sabe por onde começar —

Você não tá sozinha.

Eu também sou essa mãe.E nós vamos aprender juntas.

#autista #maeatipica

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