O encontro do coração

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  Ela Está Chegando —  e eu preciso da sua ajuda Um dia me perguntaram como eu acredito ser a reação de alguém ao encontrar sua alma gêmea. Como sempre, minha resposta virou música. Nasceu assim Ela Está Chegando — uma composição minha que tenta traduzir aquele momento exato em que o coração reconhece alguém antes mesmo da razão entender o que está acontecendo. O chão treme. O corpo trai. Os olhos cruzam por um segundo eterno. E a pergunta que não sai da cabeça: será que ela sente a mesma coisa? Escrever essa letra foi fácil. Porque algumas coisas a gente não inventa — a gente só coloca em palavras o que já estava dentro. E agora essa música tem uma chance de ganhar voz de verdade. Ela está concorrendo a um projeto da dupla Sávio e Gustavo na plataforma MusicPlayce — e a música mais votada entra no repertório deles. É aí que você entra. Se essa história tocou você de algum jeito, se já sentiu o chão tremer assim, clica no link abaixo, ouve e vota. Curtidas e comentários tamb...

Quando você se vê no filho TEA

 

O diagnóstico que veio do filho

Quando a peça que faltava era em mim

Há algumas semanas, contei aqui sobre o diagnóstico do meu filho. O que eu não tinha contado é que aquele laudo também era um espelho.

Quando li, não vi só o Miguel. Eu me vi.

“Você é estranha” — a vida inteira

Nunca me achei normal. Sempre ouvi:

“doidinha”

“esquisita”

“sensível demais”

Eu ria. Fazia piada. Seguía. Mas por dentro, a conta nunca fechava.

Por que tudo era tão difícil? Por que eu fazia tratamento psiquiátrico desde os 14 anos, melhorava um pouco… e depois voltava tudo de novo? Por que a sensação constante de estar deslocada, funcionando no limite?

O diagnóstico dele levantou suspeitas em mim

As características do TEA nível 1 do meu filho pareciam um inventário da minha infância e adolescência:

· rigidez

· dificuldades sociais mascaradas

· exaustão constante de “dar conta”.

Mesmo assim, eu duvidei.

Se eu fosse autista, algum dos tantos psiquiatras teria percebido.”

Até que uma médica do PSF fez a pergunta que ninguém nunca fez:

“E se não for só psiquiátrico? E se for neurológico?

Daí veio o encaminhamento para a avaliação neuropsicológica. E o resultado.

TEA.

Ouvir isso não foi choque. Foi um “ah… tá”. Como se alguém finalmente tivesse dado nome a algo que sempre esteve ali.

E aí? O que muda?

Resposta honesta?

Nada.

Eu não viro outra pessoa. O mundo não passa a me entender. As contas continuam chegando. A vida segue caótica.

Em alguns momentos, a sensação foi essa:

Só confirmaram oficialmente o que todo mundo sempre soube: eu não sou normal.”

As reações dos outros (o pacote completo)

Quando um adulto recebe um diagnóstico tardio, as reações costumam vir em bloco:

· Culpa: “Se eu soubesse antes…”

· Incredulidade: “Mas você não parece.”

· Negação familiar: “Você não nasceu assim, fizemos todos os exames.”

· Desconfiança: “Tá querendo é ganhar benefício do INSS.”

Sim. Ouvi isso. De gente próxima.

Pra quem não vive na pele, é fácil achar que o outro usa a dor como desculpa. Mas quando isso vem de quem viu sua luta de perto… decepciona.

Então pra que serve o diagnóstico tardio?Serve para mudar a narrativa interna.

O que antes era:

“falha de caráter”

“preguiça”

“drama”

Passa a ser:característica neurodivergente.

Aquele cansaço absurdo depois de interação social tem nome:

fadiga do autista.

A dificuldade de foco, de organização, de lembrar o que eu vim buscar… não é burrice nem frescura. É um cérebro que processa o mundo de outro jeito.

O diagnóstico tardio não é rótulo. É ferramenta.

Ele explica por que tantos tratamentos ajudavam, mas nunca resolviam. Ele explica a sensação de passar a vida inteira nadando contra a corrente.

E agora, como seguir?O foco não é “curar” o autismo. Isso não existe.

O foco é:

· regular o que nunca foi regulado

· respeitar limites sem culpa

· parar de se violentar pra parecer normal

Na prática, isso significa:

· desmontar a máscara

· entender que dizer “não” é sobrevivência, não preguiça

· buscar terapias alinhadas ao que eu sou — uma autista adulta, não um caso genérico

· olhar para o passado com compaixão, não com cobrança

Pra quem está vivendo algo parecido.Não é sobre virar outra pessoa. É sobre finalmente entender quem você sempre foi.É trocar a guerra interna por um armistício.

Em adultos — especialmente mulheres — o TEA quase sempre vem misturado com trauma, compensação e exaustão. Separar o que é autismo do que foi dano por não ter diagnóstico é parte do processo.E no meio disso tudo, sigo sendo a EuARUE. Mãe do Miguel. Criando o Mundo Atípica.Hoje entendo que esse espaço nunca foi só sobre meu filho.

Era sobre mim. Era sobre nós.

Sobre pessoas diferentes tentando viver inteiras em um mundo que insiste em moldes únicos.

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