O encontro do coração

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  Ela Está Chegando —  e eu preciso da sua ajuda Um dia me perguntaram como eu acredito ser a reação de alguém ao encontrar sua alma gêmea. Como sempre, minha resposta virou música. Nasceu assim Ela Está Chegando — uma composição minha que tenta traduzir aquele momento exato em que o coração reconhece alguém antes mesmo da razão entender o que está acontecendo. O chão treme. O corpo trai. Os olhos cruzam por um segundo eterno. E a pergunta que não sai da cabeça: será que ela sente a mesma coisa? Escrever essa letra foi fácil. Porque algumas coisas a gente não inventa — a gente só coloca em palavras o que já estava dentro. E agora essa música tem uma chance de ganhar voz de verdade. Ela está concorrendo a um projeto da dupla Sávio e Gustavo na plataforma MusicPlayce — e a música mais votada entra no repertório deles. É aí que você entra. Se essa história tocou você de algum jeito, se já sentiu o chão tremer assim, clica no link abaixo, ouve e vota. Curtidas e comentários tamb...

🤷‍♀️E aí? Você tem o diagnóstico. E agora?

🤷‍♀️

Quem sou nisso tudo? Como me encontrar nesse processo?

Minhas vivências 

 Desde o dia 18/12/25 estou indo e voltando na mesma pergunta:

O que significa para mim esse diagnóstico?

Como me convencer que sou autista mesmo?

Como fazer os outros aceitarem também?

Hoje na auriculoterapia, a senhora que faz o procedimento me perguntou:

"E aí? Você tem o diagnóstico. E agora? O que vai fazer com isso?"

Essa é a pergunta silenciosa que me faço desde o dia que ouvi o diagnóstico da boca do neuropsicólogo.

Então fui atrás de alguém que penso que deve entender do assunto (apesar dela não estar ciente de todo o meu diagnóstico). Disse com um pouco de vergonha — e percebi que tenho vergonha de dizer "eu sou autista":

"Eu tive o diagnóstico de autista. E agora? Eu não sei o que fazer com isso. Como fazer minha família acreditar, aceitar... ou como eu mesma aceitar?"

Ela sentou para conversar comigo.

Disse algo que faz sentido:

"O primeiro passo não é fazer os outros acreditarem ou aceitarem. É entender quem você é nesse processo e se aceitar na sua condição autista. Se descobrir."

Essa foi a minha intenção quando me indicaram a análise neuropsicológica.

O que os médicos queriam saber.

Mas, principalmente, essa pergunta que me persegue desde sempre:

Quem sou eu?

Mas aí vem o problema.

Ela me disse que o primeiro passo é me aceitar como autista.

Faz sentido na teoria.

Mas na prática?

Eu nem sei o que é "me aceitar".

Como eu me aceito se ainda não sei quem eu sou?

Como eu "me descubro" se meu cérebro não me deixa sentir as próprias emoções claramente?

Não sei o que gosto.

Não sei o que sinto.

Vivo no automático, rindo de coisas que não acho engraçadas, fazendo o que "deveria" fazer pela lógica — mas sem sentir nada disso de verdade.

Quando conto coisas ruins da minha vida, é como se eu contasse a história de outra pessoa.

Não sinto nada. É tranquilo.

Então como é que eu "me aceito" se eu nem consigo me reconhecer?

Talvez a resposta não seja tão simples quanto "se aceite".

Talvez seja:

Comece a se observar sem julgamento.

Reconheça que você não está "errada" — só funciona diferente.

E que não precisa ter todas as respostas agora.

Não preciso sair dizendo: "Eu sou autista."

Eu preciso parar de me cobrar por não ser quem eu "deveria" ser.

Eu preciso entender que sou uma mulher adulta, autista, que não teve o tratamento adequado no momento certo.

E que ainda está aprendendo a se conhecer.

Porque talvez essa seja a única certeza que tenho:

A busca não é por um rótulo.

É por finalmente conseguir me sentir real dentro da minha própria vida.

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