🤷♀️E aí? Você tem o diagnóstico. E agora?
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Quem sou nisso tudo? Como me encontrar nesse processo?
Desde o dia 18/12/25 estou indo e voltando na mesma pergunta:
O que significa para mim esse diagnóstico?
Como me convencer que sou autista mesmo?
Como fazer os outros aceitarem também?
Hoje na auriculoterapia, a senhora que faz o procedimento me perguntou:
"E aí? Você tem o diagnóstico. E agora? O que vai fazer com isso?"
Essa é a pergunta silenciosa que me faço desde o dia que ouvi o diagnóstico da boca do neuropsicólogo.
Então fui atrás de alguém que penso que deve entender do assunto (apesar dela não estar ciente de todo o meu diagnóstico). Disse com um pouco de vergonha — e percebi que tenho vergonha de dizer "eu sou autista":
"Eu tive o diagnóstico de autista. E agora? Eu não sei o que fazer com isso. Como fazer minha família acreditar, aceitar... ou como eu mesma aceitar?"
Ela sentou para conversar comigo.
Disse algo que faz sentido:
"O primeiro passo não é fazer os outros acreditarem ou aceitarem. É entender quem você é nesse processo e se aceitar na sua condição autista. Se descobrir."
Essa foi a minha intenção quando me indicaram a análise neuropsicológica.
O que os médicos queriam saber.
Mas, principalmente, essa pergunta que me persegue desde sempre:
Quem sou eu?
Mas aí vem o problema.
Ela me disse que o primeiro passo é me aceitar como autista.
Faz sentido na teoria.
Mas na prática?
Eu nem sei o que é "me aceitar".
Como eu me aceito se ainda não sei quem eu sou?
Como eu "me descubro" se meu cérebro não me deixa sentir as próprias emoções claramente?
Não sei o que gosto.
Não sei o que sinto.
Vivo no automático, rindo de coisas que não acho engraçadas, fazendo o que "deveria" fazer pela lógica — mas sem sentir nada disso de verdade.
Quando conto coisas ruins da minha vida, é como se eu contasse a história de outra pessoa.
Não sinto nada. É tranquilo.
Então como é que eu "me aceito" se eu nem consigo me reconhecer?
Talvez a resposta não seja tão simples quanto "se aceite".
Talvez seja:
Comece a se observar sem julgamento.
Reconheça que você não está "errada" — só funciona diferente.
E que não precisa ter todas as respostas agora.
Não preciso sair dizendo: "Eu sou autista."
Eu preciso parar de me cobrar por não ser quem eu "deveria" ser.
Eu preciso entender que sou uma mulher adulta, autista, que não teve o tratamento adequado no momento certo.
E que ainda está aprendendo a se conhecer.
Porque talvez essa seja a única certeza que tenho:
A busca não é por um rótulo.
É por finalmente conseguir me sentir real dentro da minha própria vida.
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