apenas seguir

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  apenas seguir  Compositora: EuARUE Vanuza  Distribuidora: UnitedMasters Lançamento: 10/09/2026 Pensar sobre viver e chegar.  Nós vivemos sempre atrás de alguma coisa. Uma grande maioria acredita ter certeza do objetivo. Talvez seja o meu cérebro neurodivergente ou só a percepção mesmo que me faça questionar tanto. Todos os dias alguém faz algo como se tivesse a certeza de onde vai chegar se esquecendo que na verdade, nem tem o amanhã. O amanhã é apenas hipótese. Tantas se apegam a certezas lutam,sofrem,choram,se entregam... E depois de finalmente alcançar percebe que não era aquilo. Que quer outras coisas,outros caminhos,outros amores... Pensando assim ,eu criei para mim uma teoria: Não existe errado. Tudo está certo como deve ser. O que planejo não sair como gostaria, não quer dizer que deu errado. Quer dizer que foi necessário assim por motivos que talvez eu ainda não tenha visto ou nunca verei. Mas é isso que vai me fazer chegar seja lá onde for que eu tenha que...

Capítulo 2 O Que o Passado Guardou

 



CAPÍTULO 2

O Que o Passado Guardou

— ◆ —

Havia uma doença que Bae Jun-ho carregava desde criança.

Não era visível. Não era aquele tipo de fraqueza que aparece no rosto ou dobra os joelhos em público. Era silenciosa — uma falha no coração que se manifestava em crises raras, violentas e imprevisíveis.

Kang Dae-ho foi o primeiro a notar os sinais. A palidez nas têmporas antes das audiências. A mão que apertava o peito depois de longas cavalgadas. A respiração que ficava curta quando ninguém deveria estar olhando. Ele sabia disso porque esteve ao lado do general por anos. E sabia também que apenas uma pessoa conseguia tratar aquelas crises — apenas um par de mãos que conhecia os pontos exatos onde as agulhas yin yang deviam pousar para acalmar o que os médicos comuns nem conseguiam nomear.

Jin Hae-won.

Quando o massacre aconteceu e ela desapareceu, ele aprendeu a viver com o risco. Tornou-se general. Tornou-se imperador. E carregou a doença em silêncio — porque nenhum imperador pode ser fraco. Nenhum imperador pode ser vulnerável.

Mas o corpo não mente para sempre.

— ◆ —

A Crise

Poucos dias antes da cerimônia de coroação, Jun-ho desabou.

A crise veio de noite, sem aviso. O peito fechou. A visão escureceu. O médico imperial foi chamado às pressas — e Hae-won, que ainda vivia no palácio como primeira esposa, reparou na movimentação fora do quarto imperial. Passos rápidos demais. Vozes baixas demais. O tipo de silêncio que só acontece quando algo está muito errado.

Ela se aproximou da porta entreaberta e ouviu.

— É uma doença antiga, mal curada — disse o médico imperial, a voz pesada de quem está prestes a admitir uma derrota. — Não há nada que eu possa fazer. Apenas quem domina a técnica das agulhas yin yang poderia tratar uma crise nesse estágio.

An Ji-min já havia deixado o quarto com alguma desculpa. Ela sabia que seria desmascarada se tentasse — e preferia fugir a ser exposta.

Hae-won ficou parada na soleira por um segundo. Depois entrou.

— Eu consigo — disse ela, com a voz calma de quem não está pedindo permissão.

Todos no quarto se viraram. Até aquele momento, ninguém sabia que ela era a verdadeira Jin Hae-won. Ela era apenas a primeira esposa — aquela que ninguém havia escolhido de verdade.

Kang Dae-ho a olhou por um longo instante. Olhou para o imperador inconsciente. Olhou para o médico que acabara de confessar sua impotência. E se afastou da porta.

— Façam o que ela mandar.

— ◆ —

Hae-won trabalhou a noite toda — aplicando as agulhas nos pontos que só ela conhecia, preparando o chá de ginseng que o guarda foi buscar em seguida. O ginseng era raro e difícil de encontrar. Kang Dae-ho saiu antes do amanhecer e não voltaria tão cedo.

Quando Jun-ho começou a respirar com regularidade, Hae-won se levantou aliviada e foi à cozinha imperial preparar os últimos remédios.

Ela não viu An Ji-min entrar.

Quando voltou com o medicamento — feliz, com o coração levemente aquecido pela esperança de que ele acordaria e saberia que era ela quem havia ficado ao seu lado — encontrou Jun-ho com os olhos abertos.

E An Ji-min sentada ao lado dele, com um sorriso macio e calculado nos lábios.

Hae-won deu um passo em direção ao leito. Jun-ho a olhou. E a expulsou sem permitir explicações.

— ◆ —

A Cerimônia

A cerimônia de coroação aconteceu dois dias depois.

O grande salão do palácio estava cheio — magistrados, generais, famílias nobres, servos enfileirados nas laterais. An Ji-min estava à frente, ao lado do imperador, vestida de vermelho e ouro, a bolsinha yin yang escondida dentro da manga.

A cerimônia mal havia começado quando foi interrompida.

Seu nome era Park Bok-soon — uma jovem humilde que trabalhava na mansão de Jun-ho desde o dia em que Hae-won chegou, forçada ao casamento. Ela havia visto tudo desde o primeiro dia. Havia ficado em silêncio por medo.

Mas naquele dia em que Jun-ho forçou Hae-won a tomar o remédio para abortar, Park Bok-soon viu sua senhora dobrada de dor no chão do quarto. E algo dentro dela se quebrou de vez.

Ela atravessou o palácio a pé. Entrou no salão no meio da cerimônia. E gritou.

— ◆ —

O silêncio que se seguiu foi diferente de qualquer silêncio que aquele salão havia conhecido.

Os guardas avançaram. Jun-ho ergueu a mão — um gesto único, seco — e eles pararam.

— Fale — disse ele, a voz fria como pedra.

Park Bok-soon não tremeu. Havia chegado longe demais para tremer agora.

Contou tudo. As humilhações que Hae-won sofreu desde o primeiro dia. A noite em que Yoon So-ri usou a cegueira de Hae-won para fazê-la parecer culpada. E então — o detalhe que nenhuma mentira poderia apagar.

An Ji-min, encurralada, ergueu a bolsinha yin yang que havia roubado de Hae-won durante a confusão.

— Está aqui — disse ela, com um sorriso controlado. — A prova de que sou eu.

Mas ao ver aquela bolsinha, a memória de Park Bok-soon veio clara como água.

— Nos primeiros dias na casa do general — disse a serva, com a voz firme de quem guarda memórias como relíquias — minha senhora ainda estava cega. A bolsinha das agulhas sumiu. E ela, sem enxergar nada, tateou o chão inteiro. Perguntou a cada servo, descrevendo cada detalhe. Estava desesperada como alguém que perdeu o que tinha de mais precioso no mundo. — Ela apontou. — Tenho certeza. É essa bolsinha. É idêntica.

Foi quando a porta do salão se abriu.

Kang Dae-ho entrou — empoeirado de dias de viagem, o ginseng nas mãos. Parou ao ver a cena. Olhou para o imperador.

— Majestade. — Sua voz era cautelosa. — Trouxe o ginseng que a doutora Jin ordenou para completar seu tratamento. Ela disse que era essencial.

O salão ficou em silêncio absoluto.

Jun-ho olhou para o guarda. Depois para An Ji-min. Depois para a bolsinha. Havia algo nos olhos dele que não era mais fúria — era a compreensão gelada de quem entende, de uma vez por todas, o tamanho do que foi feito.

— Quem me tratou? — perguntou ele, a voz baixíssima.

— A doutora Jin Hae-won, Majestade. Eu mesmo a trouxe. A deixei cuidando do senhor enquanto buscava o ginseng. Por ser muito raro, não foi fácil encontrar. Por isso demorei. — Kang Dae-ho curvou a cabeça. — Perdão, senhor.

An Ji-min abriu a boca. Jun-ho não deixou que falasse.

— ◆ —

O Fim da Mentira

A família An foi presa naquela tarde.

No dia seguinte, ao meio-dia, o decreto foi lido em praça pública — a inocência da família de Jin Hae-won, restaurada. Os crimes da família An, expostos em cada detalhe. E a sentença: decapitação de todos, incluindo An Ji-min, que ouviu o decreto de joelhos sem derramar uma lágrima.

Ela morreu como havia vivido — calculando até o último segundo, sem encontrar saída.

Yoon So-ri não chegou a ser julgada. An Ji-min a havia matado meses antes, quando descobriu que ela havia tentado usar o plano do veneno para si mesma. Se não era aliada, era obstáculo. E An Ji-min nunca deixou obstáculos para trás.

— ◆ —

A Busca

Jun-ho foi imediatamente ao encontro de Hae-won.

Ela o aguardava como alguém que tinha certeza de que ele viria — com o olhar vazio, a alma despedaçada e uma decisão tomada.

Quando ele chegou e estendeu a mão, ela se afastou.

Não havia nada que ele pudesse dizer naquele momento que fosse grande o suficiente para o tamanho do que havia sido perdido. E ela não estava pronta para ouvir.

Ela foi embora.

E ele passou dois anos indo atrás dela — todos os dias, até o mosteiro do Vale das Águas — sem desistir.

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